DOENÇAS QUE AFETAM A FERTILIDADE FEMININA

Miomas

Os miomas uterinos são tumores benignos muito comuns, originados da multiplicação anormal de células do miométrio (parede do útero), sob influência de diferentes estímulos genéticos e hormonais.
Cada mioma pode ter diferentes tamanhos, variando alguns milímetros ou centímetros, podendo alterar a estrutura e superfície uterina ou o endométrio.

A fertilidade feminina pode ser afetada pelos miomas, já que o tamanho do útero ou colo uterino podem sofrer alterações dependendo da localização do tumor.

Cerca de 20 a 40% das mulheres em idade reprodutiva, podem ser diagnosticadas com miomas uterinos, sofrendo alguns impactos que podem interferir na qualidade de vida.

Clínica Originare - Miomas

A localização dos miomas está relacionada aos sintomas e classificação que possuem, sendo:

  • Subseroso - acomete a parte externa da parede do útero, atingindo a cavidade abdominal;
  • Intramural - mais frequente (cerca de 70% dos casos), afeta a parte interna da parede do útero, fazendo com que o órgão aumente de tamanho e o fluxo menstrual seja mais intenso;
  • Submucoso - atinge a região mais profunda da cavidade uterina e causa sangramentos e cólicas mais severas.

As principais causas para o aparecimento dos miomas estão relacionadas aos fatores genéticos hereditários, fatores hormonais e de crescimento.

Os miomas uterinos podem resultar na infertilidade, afinal, eles podem vir a impactar negativamente na implantação embrionária. Os mecanismos relacionados aos miomas que podem impedir uma gestação natural são:

  • Distorção da cavidade uterina (cavidade endometrial);
  • Alterações na contratilidade uterina;
  • Alteração na circulação sanguínea uterina;
  • Comprometimento anatômico dos órgão pélvicos como, por exemplo, o deslocamento dos ovários, distanciando-os das trompas e consequentemente dificultando a captura do óvulo;
  • Aumento da produção de substâncias inflamatórias.

Diagnóstico

A ultrassonografia transvaginal é o principal exame que determina a localização e tamanho dos miomas.

Exames laboratoriais ou físico abdominal (realizado através da palpação) e pélvico, que permitem avaliar as características do útero, podem sugerir a presença de miomas.

Após o diagnóstico inicial, deve-se classificar o mioma de acordo com a localização, interpretar se existe algum impacto para a fertilidade da paciente e se há indicação cirúrgica. A ressonância magnética mostra-se ainda mais eficiente no diagnóstico e classificação dos miomas e outras

Após o diagnóstico inicial, deve-se classificar o mioma de acordo com a localização, interpretar se existe algum impacto para a fertilidade da paciente e se há indicação cirúrgica. A ressonância magnética mostra-se ainda mais eficiente no diagnóstico e classificação dos miomas e outras doenças que impactam na fertilidade da mulher, como a endometriose e no planejamento cirúrgico.

doenças que impactam na fertilidade da mulher, como a endometriose e no planejamento cirúrgico.

A histerossalpingografia pode ainda ser indicada para pacientes com dificuldades para engravidar, sendo realizada através de contraste injetado no interior do útero, realçando cavidade e tubas uterinas e, consequentemente a presença de miomas.

Já a histeroscopia diagnóstica é indicada para os casos de miomas que alterem a cavidade endometrial (principalmente miomas submucosos) e permite avaliar a cavidade.

Sintomas

De modo geral, os miomas são assintomáticos e, por isso, normalmente são diagnosticados através de exames de rotina. O sintoma mais frequente é a alteração da menstruação.
O aparecimento de sintomas está diretamente relacionado à quantidade, tamanho e localização dos miomas e manifestações mais comuns são:

  • Dificuldade para engravidar;
  • Cólicas intensas;
  • Menstruação irregular;
  • Dores pélvicas, abdominais e durante as relações sexuais.

Tratamento

O tratamento dos miomas uterinos pode ser hormonal ou cirúrgico, dependendo do número, dimensões, localização e sintomas desses miomas. Confira a seguir alguns detalhes sobre o tratamento hormonal.

  • Análogo agonista de GnRH : responsável por induzir o bloqueio da produção dos hormônios sexuais, pode resultar em uma redução do mioma em 35 a 65% dos casos de utilização. Isto ocorre, porque a medicação diminui o suprimento sanguíneo para o útero, levando à diminuição do tamanho do mioma. O uso desta medicação deve ser individualizada, considerando riscos e benefícios para cada paciente;
  • Pílulas anticoncepcionais: podem ser indicados para tratamento nas mulheres com miomas e hemorragias uterinas, para pacientes que não desejam engravidar;
  • DIU Mirena: reduz a espessura endometrial e assim diminui o sangramento. Não tem influência na função ovariana e na diminuição do mioma, não sendo recomendado para pacientes que estão tentando engravidar.
Clínica Originare - Miomas

Tratamento cirúrgico

As principais técnicas cirúrgicas indicadas para o tratamento dos miomas uterinos são:

  • Miomectomia: o procedimento consiste na remoção cirúrgica do mioma, preservando o útero da paciente com desejo reprodutivo;
  • Histeroscopia cirúrgica: procedimento minimamente invasivo, que utiliza uma fina óptica para visualização direta da cavidade uterina, identificação do mioma e sua retirada. Após a retirada do mioma e cicatrização da área manipulada, a paciente é liberada para seguir com o tratamento para engravidar;
  • Videolaparoscopia: cirurgia por vídeo realizada para retirada de miomas maiores que geralmente acometem a parede uterina (intramurais) e também aqueles que, independentemente do tamanho, estão distorcendo a cavidade endometrial e não há possibilidade de retirá-los através da Histeroscopia;
  • Histerectomia: remoção do útero, indicada para casos extremos de mulheres pós-menopausa com miomas em crescimento.

Tratamentos alternativos

A embolização das artérias uterinas e ressonância magnética de alta frequência são técnicas alternativas, mas não são recomendadas para pacientes que desejam engravidar, pois a segurança e efetividade para essas pacientes ainda não foram comprovadas.
A realização da técnica leva à diminuição da vascularização dos miomas, e sua diminuição de tamanho.

Para as pacientes com desejo reprodutivo e portadoras de miomas intramurais com prometimento submucoso (que compromete a cavidade endometrial) recomenda-se a realização de miomectomia histeroscópica ou videolaparoscópica, com o objetivo de aumentar as chances de gravidez, mesmo que sem sintomas.

Já as mulheres que querem engravidar e possuem miomas intramurais de pequeno volume e sem comprometimento da cavidade endometrial, não devem ser submetidas à miomectomia com o objetivo de aumentar a chance de gravidez.

Pólipos Uterinos

Também conhecidos como pólipos endometriais, são tumores benignos que acontecem no endométrio (camada que reveste o útero internamente) de aproximadamente 25% da população feminina geral. Diferentemente dos miomas uterinos (que têm origem da célula muscular), os pólipos são originados das células que compõem o endométrio (glândula e estroma).

A origem dos pólipos ainda não é claramente definida, e eles podem ser únicos ou múltiplos, podendo variar em tamanho: desde poucos milímetros a vários centímetros.

As taxas de malignização dos pólipos uterinos são relativamente baixas (0,5% a 4,8%), sendo os fatores de risco mais comuns a idade, menopausa tardia, obesidade e hipertensão arterial.

Sintomas

O sangramento menstrual irregular é o sintoma mais frequente em pacientes com pólipos endometriais. Aproximadamente 30% das mulheres acometidas não apresentam sintomas.

Diagnóstico

O diagnóstico dos pólipos uterinos acontece através dos exames:

  • Ultrassonografia transvaginal
    Na maioria dos casos, é possível realizar o diagnóstico através da ultrassonografia transvaginal. O melhor período do ciclo para avaliação e diagnóstico é a fase folicular (entre 6º ao 12º dia do ciclo menstrual), quando o endométrio está com aspecto trilaminar, aumentando a sensibilidade do exame;
  • Histerossonografia
    Através de um exame ginecológico, realiza-se a introdução de um fino cateter dentro do útero, por onde se introduz soro fisiológico dentro da cavidade uterina. A presença do soro expande a cavidade uterina e permite a visualização de imagem sugestiva de pólipo ou mioma através do ultrassom transvaginal;
  • Histeroscopia
    Considerado o exame “padrão ouro” para diagnóstico, é também utilizado para o tratamento/retirada de pólipos endometriais e miomas.

Tratamento cirúrgico

A histeroscopia cirúrgica é um método seguro e eficaz no tratamento dos pólipos, com significativa melhora dos sintomas na maioria das pacientes.

O manejo dos pólipos uterinos em pacientes sem sintomas e de baixo risco ainda é discutível, visto que, no momento, não existe consenso a respeito da indicação da retirada de pólipos nesse grupo de pacientes. Já os pólipos endometriais presentes em pacientes com sintomas (sangramento vaginal e/ou infertilidade) devem ser removidos.

Clínica Originare - Miomas